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Dia 4 de Abril eram muitas as festas a decorrer no Grande Porto. No Porto-Rio, era o elemento dos Dealema, Ex-Peão, que apresentava “Maskhara – Reconstructed Versions”, um disco de remisturas de temas que estão presentes no álbum “Máscara”, editado em 2006.
Numa base experimental, Rui Pina iniciou a jornada musical com “Real e Verdadeiro”, com a ajuda de Mundo, no palco. O barco vibrava enquanto ecoava a “Intro” do novo disco, assim como duas versões da faixa “Bairro”, uma remisturada por 1Way e outra por Sirius, ambos a morar em Inglaterra. “Terapia de Choque” contou com a participação de Jonathan HHY e Rato. Este último algo inesperado, visto não fazer parte do flyer. Houve espaço para a faixa “No Andamento”, remisturada pelo ausente Ruído, e para a versão drum ‘n bass do tema “Máscara”, de DJ Oder, que marcou talvez o ponto mais alto da noite. De salientar que foi dado algum tempo para os DJs convidados apresentarem o seu próprio trabalho. Ghuna X e Alpha Kamikazz passaram ambos pelo palco com “Sente o Impacto” e mais uma versão de “Bairro”, em parceria com Jonathan HHY, respectivamente. HHY ajudou ainda Ex-Peão a terminar esta actuação, marcada por um som electrizante, que pode ser catalogado entre o drum ‘n bass e o dubstep.
No final do evento, aproveitámos para trocar algumas palavras com o artista principal da noite e ficámos a saber um pouco mais sobre a (re)construção deste álbum, sobre o projecto Faca-Monstro, e até sobre o próximo álbum dos Dealema!
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H2T - O que é que te motivou para pegar num álbum de 2006 e remisturá-lo, em vez de começar um novo trabalho desde o início?
Ex-Peão - Estive alguns meses a misturar o álbum de Dealema e não tive tempo para trabalhar em mais nada, entretanto também tenho outros projectos com Faca Monstro, e como estou mais focado nisso, fiquei sem tempo para mais nada. Toda a gente que participa no álbum foi gente que me pediu músicas. Eu convidei uma ou outra pessoa, mas basicamente eles todos me pediram músicas ou pegaram mesmo em músicas do CD “Máscara”, do original, e remisturaram. Entretanto eu tinha umas 14 ou 15… Até tinha mais do que aquelas que foram lançadas... Tinha para aí 16 remisturas, de pessoal de Inglaterra com pessoal aqui de Portugal. Mais ou menos metade-metade… E então decidi reunir essas músicas todas e fazer um álbum, foi só isso… Demorou desde 2006 até agora porque foi um processo um bocado complicado, reunir as músicas e fazer as músicas soarem como um CD. A masterização e a mistura… Foi tudo complicado.
H2T - Este é um disco um bocado fora do comum, pelo menos para o Hip Hop, visto que tem uma base de breakbeat, drum ‘n bass, etc. Como é que é que se deu a tua ligação a este tipo de sonoridades?
Ex-Peão - Eu estou ligado a vários tipos de sonoridades desde o início. Se calhar as pessoas não sabem, mas eu primeiro comecei com bandas de hardcore. Punk-hardcore e rock mesmo… Basicamente, eu não tenho biografia no MySpace, se calhar tenho que fazer uma. Estou à espera que as pessoas descubram as coisas mas é difícil. Porque, por acaso, ainda há pouco tempo foi publicado por alguém, não sei quem, um concerto na íntegra, no MySpace, de uma banda que era os Marilú, que eu tinha, e que era uma banda hardcore, já com Hip Hop, na altura. Esse concerto é de 1995, Janeiro de 1995. Eu já faço música desde 93, já faço hardcore e Hip Hop desde 93. Já rimo há muito tempo… Dealema surgiu depois, em 96, mas eu entretanto envolvi-me na organização de eventos de drum ‘n bass, nas primeiras festas de drum ‘n bass aqui no Porto. No Blue Spot, com o Fernando, na Casa da Música… Fiz ali no Hardclub o LTJ Bukem também… E daí ter musicas de drum ‘n bass. O DJ Oder foi um DJ que eu na altura pus a tocar nas primeiras festas e ele nas primeiras festas que tocou foi nas minhas festas, festas de Hip Hop e drum ‘n bass… O Ruído também entrou nas minhas festas e agora está a viver em Inglaterra. O 1Way é amigo meu desde a infância, faz um estilo mais dubstep... E depois tens o Jonathan da Faca Monstro, todo o pessoal da Faca Monstro: o Ghuna X, HHY….
H2T - Mas achas que o Hip Hop tem a ganhar com esta conexão com outros estilos musicais?
Ex-Peão - Sem dúvida. Estou na boa com o pessoal que faz só um estilo e que se enquadra no Hip Hop ou no drum ‘n bass ou no dubstep, mas eu não me enquadro em nenhum desses movimentos, o problema é esse... Por isso é que faço um bocado de tudo. Tanto tenho os projectos de metal (de bandas de metal em que costumo tocar e ensaiar) como de hardcore e Hip Hop, e música electrónica, ou seja o que for… Mas acho que sim, acho que o Hip Hop precisa de sair desses limites…
H2T - Nesta “Máskhara” contas com uma lista de convidados muito extensa. Não nos queres, muito resumidamente, dizer quem são?
Ex-Peão - O DJ Oder, o Mundo, o Ruído (um amigo meu que está a viver em Inglaterra, também amigo do DJ Oder), HHY (de Faca Monstro), o Ghuna X (também de Faca Monstro), 1Way (também de Faca Monstro), DJ Manaia (que também é um amigo nosso), e o Alpha Kamikazz, de Espinho, que também é do drum ‘n bass. Fez a primeira compilação de drum ‘n bass em Portugal…
H2T - E a grande maioria faz parte de Faca Monstro…
Ex-Peão - Sim. Faca Monstro é um núcleo de pessoas. Somos cinco. Sou eu, o HHY, o Space Out, que é o Maze, o Pedro Augusto, e o Último, que representa na Alemanha a Faca Monstro. Também temos o 1Way que está a representar em Inglaterra. E depois temos mais pessoas que nós convidamos porque é uma plataforma para quem faz música electrónica e não se enquadra em nenhum estilo específico. Para quem está a explorar….
H2T - Vocês já têm 5 mixtapes. Já pensaram num álbum oficial?
Ex-Peão - Sim, esta data era para ser o lançamento do nosso vinyl, da nossa compilação de Faca Monstro em vinyl, mas não foi…
H2T - Para quando agora?
Ex-Peão - Estamos à espera de ter um orçamento para mandar fazer vinyl o mais rápido possível.

H2T - E, no meio disto tudo, quem é que é o Ex-Pawn? No fundo, é o mesmo nome, mas em inglês…
Ex-Peão - Eu não gosto de misturar muito as coisas e então decidi criar outro nome para mim, para poder me expressar de outras maneiras, e poder utilizar umas músicas mais experimentais que eu produzo. Acho que é melhor lançar isso separado de Ex-Peão porque as pessoas já sabem o que podem contar de Ex-Peão, e não é muito sobre a mesma coisa…
De Ex-Peão podem esperar o mesmo de sempre e de Ex-Pawn experiências musicais, na base da electrónica.
H2T - Depois deste álbum de remisturas, já tens alguns planos?
Ex-Peão - Sim, gostava de fazer agora o meu próximo álbum, que vai ser basicamente de rock. Um álbum de rock psicadélico… E tentar gravar com instrumentos, que é a cena que eu já estou cada vez mais a fazer. Sempre fiz um bocado, já no álbum de “Máscara” foi tudo, um bocado, gravado com instrumentos… E as pessoas têm muito aquela ideia de… Não conhecem se calhar a minha historia, e pensam que eu estou atrás do computador só a fazer aquelas musiquinhas, mas eu não uso muito o computador, eu sinto-me bem é com bandas, eu toco é com bandas…
H2T - Completamente rock?
Ex-Peão - Rock psicadélico. Pode ter um bocado de Hip Hop, pode ter um bocado disso… Vou gravar umas guitarras, umas baterias e ver o que é que sai.
H2T - Depois do “V Império”, os Dealema já estão a pensar em alguma coisa?
Ex-Peão - Já estamos a produzir o nosso próximo álbum. Já estamos a escrever as músicas. E vem aí mesmo tempestade, porque a indústria musical está mesmo cada vez mais sem assunto, e nós não vamos entrar nesse filme e vamos voltar um bocado às origens. Temos aí umas músicas para o pessoal ouvir, pensar e sentir…
H2T - Já têm alguma data programada ou uma estimativa?
Ex-Peão - Uma estimativa é que adorávamos conseguir lançar isso até ao final deste ano. No máximo, no início do próximo, mas até ao final deste ano… Vamos tentar…
Por Daniela Ribeiro para H2T - www.h2tuga.net
Fotografias por RedFox
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